Você que é cisgênero, ou seja, que se reconhece com o gênero designado em seu nascimento, e está acompanhando o ativismo trans, já deve ter se perguntado como pode participar deste movimento. Talvez você já saiba, mas vamos recapitular algumas ações práticas antes de dar continuidade.
São tantos beijos amargos, com gostos diferenciados de bebidas, balas,
cigarros; unhas pequenas, grandes, médias, que arranham, agarram,
prendem; cabelos longos, curtos, lisos, encaracolados, afros, coloridos…
e tudo acaba na mesma coisa. Todas são lindas, te deixam admirado pelo
sorriso, olhar, dança, ou qualquer merda que fizeram naqueles intervalos
-intermináveis- entre uma garrafa de
cerveja e outra. No final trocam-se os números, vão para carros,
quartos, ou somem um pra cada canto e a vida segue. Espremido nesse
sistema, eu ligo, mando um sinal de vida e mostro que sou uma pessoa,
não mais uma opção que estava no cardápio da noite. Passam semanas,
meses, S.O.S avistados, outros não.
Algumas começam a namorar, outras somem, outras ficam, porém inúteis e
assintomáticas, outras simplesmente somem; a vida segue, tanto faz,
continuo na mesma.
Eu deveria mudar… mas não acaba sempre dessa forma, gosto de jogos. Por
curiosidade, vontade, coloco minhas cartas à mesa, jogo os dados, e por
sorte, randomicamente aparecem números iguais -é um jogo, nunca esqueça- e abro um sorriso, que logo desaparece ao perceber que não se ganha um jogo a dois sozinho. O gosto amargo volta.
A chuva me molhou A garganta secou E o moço do ônibus quase morreu ensopado O poema ninguém leu E o motorista foi odiado por demorar e fazer o poema se molhar na minha mente. Hofschneider